A caça à baleia foi a principal musa inspiradora do artesanato desta ilha. Deste cetáceo tudo se aproveita. Os dentes do cachalote, marfim precioso dos oceanos, deram origem a espantosas gravuras usando-se a técnica do “scrimshaw”, trazida há mais de um século por baleeiros americanos. No marfim são gravados temas que ilustram lutas marítimas entre homens e baleias, figuras femininas que preenchiam os sonhos dos marinheiros, veleiros e episódios da vida quotidiana e religiosa. Mas do cachalote nascem ainda outras valiosas peças de arte. Dos seus dentes, ossos e mandíbulas criam-se miniaturas evocativas do seu perfil assimétrico, caudas que parecem espadanar o mar, pode-se ainda encontrar brincos, anéis e pendentes. Os botes utilizados na caça à baleia também estão reproduzidos com perfeição e pormenor, através de miniaturas produzidas por alguns dos seus antigos tripulantes.
São igualmente dignas de apreciação as rendas e os bordados, bem como os trabalhos em madeira de cedro, ráfia, trança de palha de trigo, escamas de peixe e papiro.
O folclore do Pico, embora mantendo as linhas melódicas da música popular, acrescentou-lhes algumas “modas” ricas de harmonia e ritmo, como o “caracol”, “larum-tum-tum”, “manjericão”, “rema”, bailados nos dias de festa. A “chamarrita”, presente em todas as ilhas do Arquipélago, tem no Pico o máximo da sua viveza.