artesanato e folclore
O povo Açoriano soube aproveitar a matéria prima oferecida pela natureza. Assim, através da folha de milho, material intimamente ligado à agricultura, da espadana, do morangueiro, do pano ou serapilheira faz-se bonecos, que recriam os trajes típicos das gentes açorianas, flores ou capachos.
A pesca, meio de subsistência, é também uma fonte de inspiração ao artesanato regional, nomeadamente através da escama de peixe. Estas são reinterpretadas, coradas e transformadas em pétalas delicadas, que tomam a forma de surpreendentes conjuntos florais. As flores também podem ser concebidas através de outros materiais como o papel, as penas e o pano. De igual modo, pode-se encontrar alguns artesãos que se dedicam a trabalhos em dente e osso de baleia.
O barro das ilhas proporcionou o desenvolvimento de uma ancestral indústria artesanal de cerâmica e olaria, que pode ser encontrada por toda a ilha, nomeadamente: a cerâmica de Vila Franca do Campo (não vidrada e simples); a da Lagoa (pintada à mão, com desenhos onde predomina o azul); os painéis de azulejos de Ribeira Grande (pintados à mão sobre vidrado cru com predomínio de tons de azul cobalto).
Outra relevante expressão do Artesanato dos Açores é a arte de fiar, realizada com teares seculares que produzem fabulosas mantas, colchas e tapetes nos padrões e cores tradicionais. Os bordados à mão e os trabalhos em vime são, mais uma prova de uma grande variedade e riqueza artesanal.
A nostalgia do mar e a beleza melódica, peculiar aos insulares, parecem embalar as suas toadas, que, na dança, se transformam em corpos rodopiando ao compasso, na beleza dos gestos marcados pelo peso da tradição e no colorido dos trajes das mulheres em contraste com as cores sóbrias dos homens. Entre os bailares mais conhecidos, são de salientar a “sapateia”, o “manjericão”, o “balho-furado”, a “cana-verde” e o “pezinho-da-
-Vila”. A “Cantoria dos Reis”, na véspera do dia de Reis (6 de Janeiro), e a “Cantoria das Estrelas”, na noite de 2 de Fevereiro, juntam um sabor popular ao fervor religioso.
O Capote e Capelo, traje típico popular muito curioso, vindo do séc. XVIII, começa inevitavelmente a pertencer ao passado, ressurgindo unicamente nas festas tradicionais. São igualmente de referir os trajes característicos e coloridos usados pelos homens nas Cavalhadas, compostos por calças brancas, os chapéus altos carregados de ouro, com as camisas brancas enfeitadas de laços e fitas vermelhas, fazendo uma vistosa guarda de honra ao “rei”. Destacam-se ainda os tradicionais Foliões, trajando opas de chita vermelha enramada e chapéus em meia lua, que com os seus cantares e violas, abrem os cortejos das Festas do Divino Espírito Santo.