Há séculos que Angra é um ponto de paragem nas rotas entre a Europa, a América e África, e o seu importante passado está reflectido, apesar dos danos causados pelo grande sismo de 1980, nas igrejas e mosteiros, na imponente Fortaleza de São João Baptista, na Sé-Catedral de torres gémeas (século XVI), ou nas grandes casas renascentistas de graciosas varandas. Por isso, Angra do Heroísmo, que já era monumento regional, foi declarada em 1983 pela UNESCO “Património da Humanidade”, o que dá bem a medida da importância do seu valor histórico-cultural.

Monumentos Religiosos

SÉ CATEDRAL
Construída nos moldes da arquitectura filipina (fins do séc. XVI), sobre uma igreja gótica (séc. XV). Apresenta no seu interior pormenores de grande interesse como: a enorme capela-mor, ao modo de charola; o tecto esculpido em cedro; azulejos, imagens, pinturas e pratas do séc. XVII; uma sacristia com móveis de jacarandá e um tesouro rico, com uma galeria de retratos a óleo dos prelados diocesanos, alfaias e paramentos religiosos, entre os quais um magnífico pontifical de D. João V. Danificada pelo terramoto de 1980 e posteriormente consumida por um incêndio foi reconstruída, procurando-se conservar a traça inicial.

IGREJA DE SÃO GONÇALO
Edifício do séc. XVII, reunindo no seu interior um valioso recheio. Altar em talha dourada, azulejos, imagens e pintura dos sécs. XVII e XVIII. Interessante claustro do séc. XVI.

IGREJA DE NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO
Construção do séc. XVI, em estilo barroco. Capela-mor em talha dourada. Sacristia com mobiliário em jacarandá (séc. XVIII).

IGREJA DA MISERICÓRDIA
Edifício do séc. XVIII. Interessante colecção de escultura e pintura (séc. XVIII).

IGREJA DE SÃO MATEUS
De construção recente, sécs. XIX-XX. Imagem e São Mateus (séc. XVI) e da Virgem (Mestres da Sé d’Angra, séc. XVII).

IGREJA DE SANTA BÁRBARA
Construção do séc. XV, alterada posteriormente. Altares de talha dourada. Imagem da padroeira em pedra Ançã.

IGREJA DE SÃO SEBASTIÃO

De estrutura gótica, data do povoamento da ilha (sécs. XV-XVI). O portal, arcos e abóbada da capela e alguns frescos merecem especial
atenção. Imagens e pinturas (séc. XVI). Próximo, na Ribeira de S. Sebastião, antigas azenhas (sécs. XV-XVI) animam a paisagem.

CONVENTO E IGREJA DE SÃO FRANCISCO
Construção do séc. XVIII, edificada sobre duas anteriores clausuras da ordem franciscana. É um imponente edifício de grandes dimensões, de linhas austeras, com as fachadas marcadas pelas pilastras e vãos das janelas. A Igreja anexa, dedicada a Nossa Senhora da Guia, apresenta um interior de três naves, dividido por duas ordens de arcos que evocam a arquitectura românica.
O seu conjunto de preciosidades artísticas é notável, destacando-se os retábulos em talha dourada nos altares, imagens e pinturas barrocas e grandes composições em azulejos com paisagens, na capela-mor, e cenas da vida de São Francisco, no coro.
Na sacristia, tecto em madeira de cedro, com talha dourada, arcaz de jacarandá, fontanário de pedra lavrada e imagens em marfim indo-
portuguesas.
Na primeira Capela da Nossa Senhora da Guia, fundada em finais do séc. XV, foi dada sepultura ao Capitão Vaz Corte-Real e ao irmão do navegador Vasco da Gama, Paulo da Gama, morto na viagem de regresso da índia, em 1499.

ERMIDA DE NOSSA SENHORA DA LUZ
Abriga uma imagem da Virgem e o Menino, de origem flamenga (séc. XVI).

PALÁCIO DOS CAPITÃES GENERAIS
(Colégio dos Jesuítas)
Antigo Colégio dos Jesuítas, adaptado a residência dos Capitães-Generais a partir de 1766, foi recebendo, ao longo dos tempos, um valioso recheio em mobiliário, telas e outras obras de arte. Há uma sala com retratos a óleo, em tamanho natural, dos reis da dinastia de Bragança até D. Maria II. A Igreja anexa, construção de meados do séc. XVII, é notável pelas suas talhas, douramentos (alguns deles sobre a própria pedra), estatuária e painéis de pintura seiscentista. Possui, ainda, a melhor colecção de azulejos holandeses do séc. XVII existente fora da Holanda.

PALÁCIO BETTENCOURT
Edifício de arquitectura Barroca, edificado nos finais do século XVII, primórdios do séc. XVIII. Na fachada principal possui um belo pórtico lavrado em cantaria da região, constituído por duas colunas salomónicas encimadas por capitéis compósitos e arquitrave e uma ampla cartela que envolve a pedra de armas da família Bettencourt. Possui, ainda, salas com abóbadas e tectos apainelados de madeira de cedro local e do Brasil. Neste histórico monumento encontra-se ins­tala­da a BIBLIOTECA PÚBLICA E ARQUIVO DE ANGRA DO HEROÍSMO. Sendo uma das melhores bi­bliotecas do nosso país, possui um valioso património em que se destaca a biblioteca municipal (em depósito), as secções de monografia e de publicações em série, as bibliotecas de Vitorino Nemésio e de José Agostinho e, ainda, algumas das primeiras obras impressas nos Açores.

MUSEU REGIONAL DE ANGRA DO HEROÍSMO
Instalado no antigo Convento de São Francisco, alberga a principal unidade museológica da ilha Terceira.
As suas notáveis colecções pretendem mostrar uma panorâmica da história da cidade e da ilha, das relações com outras ilhas do arquipélago e o espaço mais alargado criado pelo tráfego internacional dos sécs. XV a XVII. Esta “viagem” ao passado é organizada através de quatro momentos: o conhecimento das ilhas dos Açores; Angra, os Açores e o Mundo; da capitania geral ao liberalismo; e da segunda metade de oitocentos à actualidade.
O Museu Regional de Angra integra, ainda, três exposições permanentes: pintura açoriana sobre madeira (sécs. XVI e XVII), uma bataria de artilharia Scheineder-Canet, vinda para os Açores durante a I Grande Guerra Mundial, sendo um exemplar único no mundo, e “Memórias de um Edifício”.

ALTO DA MEMÓRIA
Obelisco recordando a presença do rei D. Pedro IV na cidade de Angra. Erguido no local do primeiro castelo da cidade (sécs. XV-XVI).

CASTELO DE SÃO JOÃO BAPTISTA
Mandado edificar por Filipe II de Espanha, na base do Monte Brasil, é uma das mais imponentes fortalezas portuguesas dos sécs. XVI-XVII. O seu pórtico principal, lavrado em cantaria negra e coroado pelas armas reais, a ponte dos arcos, os tor-
reões, o sistema de fossos e um interior rico, com a Igreja de São João Baptista e o Palácio dos Governadores do Castelo, fazem desta fortificação um dos mais grandiosos monumentos do País. Nele estiveram presas figuras célebres, como Gungunhana e D. Afonso VI.

CASTELO DE SÃO SEBASTIÃO
Sobranceiro ao Porto de Pipas, foi mandado edificar no tempo de D. Sebastião (séc. XVI).

PAÇOS DO CONCELHO
Majestosa construção do séc. XIX, no local da anterior Casa da Câmara do séc. XVII. Conserva a primeira bandeira azul e branca da monarquia, bordada pessoal-
mente pela rainha D. Maria II.

MUSEU VULCANOESPELEOLÓGICO
Reúne uma interessante colecção de materiais vulcânicos recolhidos pela Sociedade de Exploração Espeleológica “os Montanheiros”, durante as suas explorações em grutas e túneis vulcânicos. A complementar, existe uma curiosa exposição de fotografias sobre fenómenos vulcânicos.

SOLAR DA MADRE DE DEUS
Óptimo exemplo de casa solarenga dos séculos XVII/XVIII, típica das zonas mais altas das cidades portuárias das ilhas e Ultramar. Actualmente é a residência do Representante da República.

Os solares dos Corte-Reais, dos Canto, dos Sieuve de Menezes, são outras tantas cons­truções que dão à cidade aspectos dignos de admiração.

FORTE GRANDE E FORTE DO NEGRITO
Restos das antigas fortificações da ilha, erguidas no séc. XVI, para defesa da invasão espanhola.