Numerosos miradouros proporcionam vistas deslumbrantes. Costas de recorte variado, ora em pontas que entram na amplidão dos mares ou rochedos que caiem abruptamente no oceano, ora em angras que acolhem os frágeis barcos de pesca ou baías, algumas das quais adaptadas a portos de apoio à navegação.
Montanhas e vales tranquilos, cobertos de exuberante vegetação, lagoas de enorme beleza alojadas em crateras de vulcões extintos, fumarolas, géiseres e nascentes de água quente, picos im­po­nentes e cavernas misteriosas, a contrastar com campos cuidadosamente cultivados, conferem a este arquipélago uma variedade paisagística rara. Devido a uma atmosfera isenta de poluição, a paisagem adquire tonalidades invulgares e, num ambiente de tranquilidade, proporciona óptimas condições aos amantes da fotografia.
Da conjugação de todos estes factores resulta uma suavidade de clima que, adicionada à particular natureza do solo, origina uma fertilidade de terra que se traduz na presença das mais variadas e exóticas espécies vegetais. Árvores de madeira de qualidade, muitas delas de flora indígena, como por exemplo o vinhático e o cedro, frutas tropicais com destaque para o ananás, abundância de flores em que prevalecem as hortênsias, os hibiscos, as conteiras, os rododendros, as camélias, as giestas e as azáleas, campos de pastagem e culturas como as do chá ou tabaco, dão aos Açores uma diversidade vegetal invulgar.
A fauna selvagem, onde predomina o coelho, é enriquecida pela existência de numerosas aves, como o pombo torcaz, o milhafre, o melro e o canário. Uma variedade de gaivotas e outras aves marítimas sobrevoam o mar rico em espécies das quais se destacam, pelo seu interesse para a pesca desportiva, a albacora, o congro, a anchova, o espadarte, o atum, o espadim azul. No tocante à captura desportiva de espécies maiores, deve ser referida a emocionante pesca do tubarão e respectivas variedades.
Nas águas do Arquipélago são também frequentes várias espécies de cetáceos, nomeadamente o golfinho, o cachalote e a baleia.
A origem vulcânica dos Açores e o seu desenvolvimento ao longo de muitos milénios torna-os um autêntico museu-vivo de centenas de curiosos fenómenos vulcânicos.
Com vista ao exercício e promoção de actividades no campo da Vulcanologia, da Sismologia, da Geotermia e do Ambiente e a formação, reciclagem e actualização das entidades que o solicitem naquelas áreas, em 10 de Junho de 2000 nasceu o Observatório Vulcanológico e Geotérmico dos Açores (OVGA). Trata-se de uma Associação Científica, Técnica e Cultural sem fins lucrativos sedeada na ilha de São Miguel e com delegações, laboratórios, oficinas e unidades técnico-científicas em outras ilhas do Arquipélago.
Situado na Atalhada, concelho de Lagoa, ilha de S. Miguel, o Observatório Vulcanológico e Geotérmico dos Açores ocupa dois novos edifícios (Pavilhão Tenente Coronel José Agostinho ou Bloco 1 e o Pavilhão Professor Doutor Frederico Machado ou Bloco 2), uma oficina de apoio e um arquivo de documentos técnicos e científicos sendo os primeiros financiados pelo Governo da Região Autónoma dos Açores e localizados em terreno cedido pelo Município da Lagoa.
O actual Arquipélago dos Açores corresponde a uma vasta plataforma oceânica encaixada entre as denominadas Placas Norte-Americana (a oeste), Euro-asiática (a nordeste) e Africana ou Núbia (a sul). Esse território, de forma sensivelmente triangular (cf. gravura da microplaca) denomina-se Microplaca dos Açores e as zonas mais elevadas correspondem às 9 ilhas e ilhéus associados. Os bancos de pesca que as rodeiam equivalem, frequentemente, a ilhas desaparecidas ou por erosão ou por abatimento do fundo do mar.
Desse modo conclui-se que todas as ilhas são de origem vulcânica e que a Microplaca dos Açores resultou da abertura do Oceano Atlântico, ou seja, do afastamento dos Continentes Americanos dos Continentes Euro-Asiáticos e Africano. Este afastamento, segundo muitos autores, possivelmente gerou a base dos Açores há cerca de 34 milhões de anos, enquanto os fundos oceânicos se expandiam, lentamente, para poente (lado americano) e para nascente (lado europeu) surgindo a sul (lado africano) a grande fractura Açores > Gibraltar > Norte de África > Apeninos, etc.
Das ilhas mais antigas ainda resta Sta. Maria onde existem formações vulcânicas com mais de 8 milhões de anos. Há cerca de 6 milhões de anos toda a plataforma açoriana foi arrasada por erosão e movimentos geológicos complexos, assim se passando a uma fase de deposição de sedimentos marinhos (os célebres calcários de Sta. Maria) e de adormecimento vulcânico.
Há cerca de 4-5 milhões de anos o vulcanismo açoriano retomou energia suficiente para gerar as restantes ilhas e ilhotas, faseadamente. Assim apareceram as ilhotas das Formigas (lavas submarinas aflorantes) e os Vulcões do Nordeste, em S. Miguel (aprox. 4 milhões de anos).
Seguiram-se a ilha Terceira (± 2,5 milhões de anos), S. Jorge e Graciosa (± 1,5 milhões) e Faial (± 800 mil anos: Vulcão da Ribeirinha). Flores e Corvo, localizados na Placa Americana ou no bordo poente da microplaca, romperam o oceano sensivelmente naquelas idades. Estranhamente a famosa ilha do Pico instalou-se a nascente do Faial, há cerca de 260 mil anos, única excepção a esse aparecimento gradual das ilhas açorinas de poente para nascente.
Geradas as raízes das diversas ilhas, nas épocas citadas, cada uma das ilhas passou a aumentar a respectiva área vulcânica de acordo com regras e cadências ainda em estudo.
Após a descoberta ou achamento das ilhas, na microplaca já foram registadas mais de 30 erupções. As que ocorreram em terra passaram a ter a designação de “mistérios”, ou seja, de terra-nova, misteriosa para os primeiros colonizadores assim se inserindo na gíria científica. Capelinhos, na ilha do Faial, em 1958, foi o último e o mais célebre de todos os mistérios vulcânicos açorianos.
Os Açores possuem uma vasta área marinha, com uma enorme variedade de montes submarinos, vulcões submarinos activos, ecossistemas complexos e formas de vida. As ilhas representam os picos mais altos de uma complexa cadeia de montes e vulcões submarinos situados na Crista Média-Atlântica.
Um cone submarino alberga uma riqueza biológica excepcional. Destaca-se o Banco D. João de Castro, um monte submarino localizado entre as ilhas de São Miguel e Terceira.
Os Açores constituem igualmente uma área muito importante para estudos das fontes hidrotermais profundas. Recentemente foram descobertas várias comunidades interessantes em campos hidrotermais como os de Lucky Strike e Menez Gwen, localizados na Zona Económica Exclusiva dos Açores.
A organização não governamental “World Wildlife Fund” (WWF) atribuiu aos Açores o galardão honorífico “Gift to the Earth”, pelo notável contributo para a conservação destes ecossistemas marinhos.
Actualmente são conhecidas cinco fontes hidrotermais (“Lucky Strike”, descoberta em 1992, “Menez Gwen”, descoberta em 1994, “Rainbow”, descoberta em 1997, “Saldanha”, descoberta em 1998, “Ewan”, descoberta em 2006, todas elas classificadas como áreas protegidas, localizadas a sul do arquipélago, as quais têm sido alvo de apurados estudos científicos.
As actuais 106 áreas classificadas dos Açores estão a ser substituídas por nove Parques Naturais – um por cada ilha e um Parque Marinho. Entretanto, foram já criados os Parques Naturais da ilha do Pico, da ilha de São Miguel e da ilha Terceira que passam a ser as entidades gestoras das respectivas áreas classificadas.
Dar a conhecer as diferentes cores, as mil e uma formas e os vários ritmos de vida que reflectem o ambiente terrestre e marinho da mais pequena ilha dos Açores é o objectivo do Centro de Interpretação Ambiental do Corvo.
Para além deste foram já criadas infra-estruturas como a Gruta das Torres, a Casa da Montanha no Pico, o Centro de Interpretação Ambiental e Cultural da Ilha do Corvo ou o Centro de Visitação do Jardim Botânico do Faial. Em breve, aliás, estarão prontos o “Aquário Virtual” e a Casa dos Dabney, na ilha do Faial, e os Centros de Interpretação Ambiental da Furna do Enxofre, na Graciosa, da Fajã de Santo Cristo, em São Jorge, da Gruta do Carvão, em São Miguel, e o da Fábrica do Boqueirão, na ilha das Flores.
O Conselho Internacional de Coordenação do Programa da UNESCO “O Homem e a Biosfera” (MAB) classificou as ilhas da Graciosa e Corvo como Reservas da Biosfera.
Casas curiosamente construídas, moinhos típicos de origem flamenga, igrejas e tesouros de arte de enorme valor são testemunho vivo da história dos Açores, em que a força de vontade e dignidade do seu povo têm sido uma constante.
Fortes tradições populares, como o caso das danças e cantares cadenciados, das alegres touradas à corda e curiosos trajes característicos, bem como convicções religiosas muito enraizadas que se traduzem nas inúmeras igrejas erigidas e nas procissões ao longo de todo o ano, são parte da existência deste povo hospitaleiro e simples.
O Arquipélago dos Açores, em virtude do seu rico passado histórico e das suas tradições, que se foram enraizando nas suas gentes, tornou-se uma referência importante nas artes e ofícios. Homens e mulheres, ao longo dos tempos, desenvolveram e guardam, ainda intactas, técnicas de trabalho artesanal de tradições plurisseculares.
O Artesanato dos Açores, devido aos poucos contactos com o exterior causados pela insularidade, tornou-se, de certa maneira, muito “sui generis” devido à utilização de materiais elementares como a madeira, o dente e osso de baleia, a escama de peixe, o basalto, o barro, o miolo de hortênsia ou a folha de milho.
Por todos os Açores existem Escolas de Artesanato e artesãos, que procuram manter sempre vivas estas tradições iniciadas com o povoamento destas nove ilhas de encanto.