
VULCÕES E GRUTAS
As ilhas dos Açores são todas de origem vulcânica e correspondem a elevações do fundo oceânico, resultantes da acumulação de materiais vulcânicos. As ilhas estendem-se por uma faixa com cerca de 600 km de extensão e estão dispostas ao longo de um conjunto de alinhamentos tectónicos de orientação geral WNW-ESE. O arquipélago está situado numa zona de grande actividade sísmica e vulcânica, na junção de três placas tectónicas: a Euroasiática, a Norte Americana e a Africana. Desde o seu povoamento, no século XV, estão reportadas 26 erupções vulcânicas na região dos Açores, 14 das quais submarinas.
As cavidades vulcânicas, não sendo muito comuns à escala global, encontram-se em locais onde o magma ascende à superfície, como por exemplo nos Açores, Estados Unidos da América, Havai, Galápagos, Canárias, Islândia, Itália, Japão, Quénia e Coreia.
As cavidades vulcânicas, que incluem os tubos lávicos e os algares vulcânicos, são ricas em estruturas típicas, de onde se podem destacar: lavas pahoehoe, lavas aa, clarabóias, balcões, estalactites e estalagmites lávicas, estalactites e estalagmites secundárias (nomeadamente de sílica, calcite, gesso e óxidos e hidróxidos de ferro), colorações resultantes da alteração/oxidação dos basaltos, bolas de lava, bolhas de gás, paredes estriadas e levées.
CAVIDADES VULCÂNICAS DOS AÇORES
Dada a sua natureza vulcânica e a presença de inúmeras escoadas lávicas do tipo basáltico, as ilhas dos Açores apresentam um diversificado património espeleológico. Actualmente, são conhecidas cerca de 270 cavidades naturais, correspondendo a muitas dezenas de quilómetros de caminhos subterrâneos, com características e formas de vida peculiares. Estas cavidades são de diferentes tipos: grutas e algares vulcânicos, fendas e grutas litorais de erosão.
O número mais significativo de cavidades está distribuído pelas Ilhas do Pico com 129, Terceira com 69, São Miguel com 28, São Jorge com 19 e Graciosa com 10, embora sejam conhecidas estas estruturas subterrâneas nas restantes ilhas, com excepção do Corvo.
Os maiores tubos lávicos açorianos são a Gruta das Torres na ilha do Pico e a Gruta dos Balcões na ilha Terceira com 5150 m e 4421 m respectivamente. O Algar do Morro Pelado e as Bocas do Fogo na ilha de São Jorge, com 140 m e 120 m respectivamente, são os algares mais profundos.
As grutas dos Açores apresentam uma fauna cavernícola própria, que inclui 20 espécies endémicas troglóbias. Muitas das espécies de artrópodes cavernícolas autóctones encontram-se na ilha do Pico e entre as espécies endémicas destaca-se um escaravelho cego que apenas é conhecido na Gruta de Água de Pau (São Miguel).
O GRUPO “GESPEA”
O “GESPEA – Grupo de Estudo do Património Espeleológico dos Açores” foi criado em 1998 pelo Governo dos Açores, visando o estudo das cavidades vulcânicas do Arquipélago, dada a singularidade, raridade e representatividade em termos ecológicos, estéticos, científicos e culturais de algumas destas cavidades.
Este grupo tem como objectivo principal assessorar o Governo Regional e demais entidades públicas na tomada de decisões relativas às cavidades vulcânicas dos Açores, na perspectiva da caracterização, promoção, conservação e gestão do património espeleológico dos Açores. As acções desenvolvidas nos últimos anos permitiram a classificação de grutas e algares dos Açores, a constituição de uma base de dados e o reconhecimento da importância científica e pedagógica deste património natural.
Dado o reconhecido valor cénico de algumas grutas vulcânicas dos Açores, estas foram dotadas de condições para a exploração turística, entre as quais se incluem a Gruta do Carvão (S. Miguel), a Gruta do Natal e o Algar do Carvão (Terceira), a Furna do Enxofre (Graciosa) e a Grutas das Torres (Pico), cuja gestão e visitação são asseguradas, nomeadamente, pelas associações de defesa do ambiente “Os Montanheiros” e “Amigos dos Açores”, em parceria com a Secretaria Regional do Ambiente e do Mar.


![]() |
|
Cavidades Vulcânicas dos Açores
|
|